Na República Democrática do Congo a violência sexual de mulheres, crianças e até homens, vem sendo usada como arma de guerra há mais de uma década. Entretanto o mundo observa este genocídio com desprezo...
Tudo começou em Ruanda, país vizinho ao Congo em 1994. Estima-se que 250 mil mulheres tenham sido estupradas e torturadas sexualmente durante os 100 dias de genocídio.
Funcionários da ONU disseram que os estupros mais sádicos são cometidos por assassinos depravados que participaram do genocídio de 1994 em Ruanda, escapando em seguida para o Congo. Esses ataques deixaram milhares de mulheres com suas partes internas destruídas.
Dezenas de milhares de mulheres, possivelmente centenas de milhares, foram estupradas e mutiladas nos últimos anos como demonstração de força...A idade não importa, de crianças de 3 anos de idade a senhoras de 75 anos todas são vítimas dos rebeldes vindos de Ruanda. A prática já se espalhou tanto pelo país, que agora até civis do Congo participam das barbáries.
E muitos desses estupros foram marcados por um nível de brutalidade chocante, até mesmo para os distorcidos padrões de um local assombrado por senhores da guerra e soldados infantis entupidos de drogas.
Para muitas vítimas, as principais conseqüências dessas violações são as doenças sexualmente transmissíveis, como HIV e Aids. Em 2003, organizações humanitárias apresentaram um relatório onde se podia ler que, muitas vezes, a transmissão de doenças sexuais era o principal objetivo desses estupros.
Conseqüências
Muitas mulheres ainda sofrem com problemas de fístulas que provocam uma evasão incontrolável de líquidos pelo canal vaginal.
Para o médico Jonathan Lusi, que passou muitos anos operando vítimas de estupros de guerra, em Goma, no Congo, em uma primeira instância, pensou-se que as fístulas eram provocadas por partos mal-feitos.
Depois, ele e sua equipe descobriram que esses abscessos eram formados pelos estupros coletivos, que acabavam por destruir o canal genital das mulheres.
De acordo com a escritora e psicóloga ruandense, Esther Mujawayho, as vítimas, em sua maioria, são rejeitadas por suas famílias e comunidades.
"Muitas pessoas simples não querem nem ouvir falar desses crimes sexuais e se fecham, horrorizadas com o fato".
Esta rejeição de mulheres vitimadas acaba provocando a desintegração da própria comunidade e acaba repercutindo economicamente para essas comunidades, segundo Venantie Bisimwa, secretária-executiva de uma organização que luta pelos direitos dessas mulheres, com sede na cidade congolesa de Bikavu, no leste do país.
De acordo com Bisimwa, as mulheres estupradas se tornam doentes e depressivas, parando de trabalhar, o que significa paralisia nas atividades agrícolas.
Elas acabam não tendo nada para vender nos mercados, locais onde, geralmente, acontecem esses estupros, acrescentou Venantie Bisimwa. O resultado é o desastre financeiro para a família da vítima.
Mulher sendo estuprada e mutilada.
Estupro e assssinato.
Quando chegou à clínica, a mulher levava um saco de plástico. Contou que andava à procura das suas filhas pequenas já há algum tempo. Dirigiu-se ao chefe da milícia na aldeia e perguntou-lhe se ele tinha visto as meninas. Ele riu-se dela e disse: “Comeste todos os dias. Achas que sacrificamos cabras?”, e deu-lhe os ossos. Desde então ela leva no seu saco de plástico os dois pequenos crânios, os restos das filhas.
Outra mulher levantou a saia. Entre jorros de sangue e pus apareceu o filho, estava grávida de seis meses. Tinha sido violada várias vezes por muitos homens. Todo o seu ventre era uma ferida enorme e terrível. O bebé entrou imediatamente na sala de operações. Não sobreviveu.
As cenas que ocorrem no pavilhão para mulheres violadas do Hospital de Panzi, da cidade congolesa de Bukavu, em algumas ocasiões ultrapassam o imaginável. Não são raros os casos de mulheres que, após terem sido violadas, levam um tiro na vagina.
Uma mulher foi violada e o marido obrigado a assistir, depois os homens armados despedaçaram o marido vivo e obrigaram a mulher a comer os genitais.
“Há dez anos que só consigo dormir com soníferos” – conta Christine Schuler-Deschryver, que se ocupa do pavilhão das mulheres do Hospital de Panzi por encargo da Sociedade alemã para a Cooperação Técnica (GTZ). “Isto não é uma guerra, é terrorismo sexual.”
Mas o pior é que:
Apesar de todo este horror, desde as eleições de 2006, no Congo há oficialmente paz e democracia, por isso o caos em Kivu é um problema que se destaca ainda mais.
É um escândalo. A comunidade internacional, que hoje lamenta em público sem reservas a sua passividade durante o genocídio ruandês, no Congo permanece agora de braços cruzados perante os sucessores ativos daquele genocídio.
Quando é que esses países que se dizem desenvolvidos e civilizados, como França e Bélgica, responsáveis pela colonização do Congo e de Ruanda, e portanto, participantes diretos nessa tragédia, vão tirar a mão dos olhos, metê-las no bolso e dar um basta a essas atrocidades?
Será necessário que aconteça um terremoto como o que aconteceu no Haiti para que o mundo olhe para esses infelizes humanos que tiveram o azar de nascerem nesses países sem lei?
Como disse a responsável pela enfermaria das mulheres do Hospital de Panzi: “Isto não é uma guerra, é terrorismo sexual.”
Sinceramente, eu não consigo entender!!!

Estupro e mutilação sexual são usados como arma de guerra, e ninguém faz nada!
Não serão publicados comentários anônimos, nem ofensivos!
Se quiser comentar, mostre sua cara, seja educado e coerente!!