quarta-feira, 31 de março de 2010

Viva o Dourado??


Introdução:
Um dia um burro precisou atravessar uma floresta virgem para voltar ao seu pasto.
Sendo um animal irracional, abriu uma tortuosa trilha, cheia de curvas, subindo e descendo colinas...
No dia seguinte, outro animal que passava por ali, usou a mesma trilha torta para atravessar a floresta.
Depois foi a vez do carneiro, líder de um rebanho, que fez seus companheiros seguirem pela trilha torta.
Mais tarde, os homens começaram a usar esse caminho: entravam e saiam, viravam à direita, à esquerda, reclamando (até com um pouco de razão...) mas não faziam nada para mudar a trilha.
Depois de tanto uso, a trilha acabou virando estradinha onde os pobres animais se cansavam sob cargas pesadas, sendo obrigados a percorrer em 3 horas a distância que poderia ser vencida em no máximo, uma hora...
Muitos anos se passaram e a estradinha tornou-se a rua principal de um vilarejo.
Posteriormente, a avenida principal da cidade.
Logo a avenida transformou-se no centro de uma grande metrópole e por ela passaram a transitar diariamente milhares de pessoas, seguindo a mesma trilha torta feita pelo burro, centenas de anos antes.
E a velha floresta, do alto de sua sabedoria, ria daquelas pessoas que percorriam a trilha como se fosse a única escolha... sem se atrever a mudá-la.

Os homens têm a tendência de seguir, como cegos, por trilhas feitas por outros, muitas vezes inexperientes, e se esforçam a repetir o que os outros já fizeram.



Ao entrar na Internet hoje, ainda na madruga, dei de cara com o feiozão do Dourado!
Vencedor do BBB...
Fiquei muito feliz, não porque tenha assistido um dia o tal do BBB, mas simplesmente porque acabou!

Não se pode negar o sucesso do BBB...
Milhões e milhões de votos, fã-clubes, torcidas, um fenômeno!

Mas o que leva alguém a perder tempo diante da TV, assistindo um teatro sem roteiros, protagonizado na maioria das vezes por gente medíocre!
Um jogo que você participa e quem ganha é outro!
Não consigo explicação...

Será que está tudo baseado no tal do "circo e pão para o povo"?

Então o BBB é um moderno Coliseu, onde os verdadeiros sacrificados são os neurônios de quem assiste!


Será que é uma grande fuga da realidade medíocre que essa "Geração X", que não possui bandeiras, não luta por ideais e não tem ídolos usa para suportar o fardo do cotidiano sem ideologia?

Então o BBB é uma droga pior que o crack, pois os traficantes não são marginais e a droga aliena e destrói famílias inteiras, desde o avô até o netinho, que nem sabe falar o nome do pai, mas balbucia "Dourado"...



Não vejo culpa na Globo, tanto ela como as outras emissoras só dão o que o povo pede!



Mas porque estamos pedindo isso?
Porque perdemos nosso tempo com essas coisas?
Será que a vida é tão longa que podemos nos dar ao luxo de perder três meses em média por ano, discutindo quem vai ficar milionário sem motivo?

Será que ninguém percebe que se pudéssemos jogar uma gigantesca tenda sobre nossa nação, estaríamos em um grande circo, no qual nós somos os palhaços, e se a cercássemos estaríamos em um grande manicômio, no qual nós somos os psicopatas!!??




Mas não esquenta...

Acorde,
Tome seu café puro, separe o dinheiro da passagem e entre no busão lotado com um sorriso, feliz porque o Dourado ficou milionário, você é normal, eu é que sou o diferente!



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segunda-feira, 29 de março de 2010

Ricos-Pobres, Pobres-Ricos e Pobres-Pobres, um retrato da sociedade brasileira!


Como bem disse o sumido e talentoso Belchior em uma de suas canções, eu "estava mais angustiado, que um goleiro na hora do gol...". 

Tentava digerir esta semana que se resumiu praticamente ao caso Isabella, com pitadas de cagadas políticas aqui e ali.


Não sei dizer se estava entrando em depressão ou se realmente todo aquele teatro estava me deixando nauseado e sem esperança quanto ao futuro da nossa sociedade.
O que para muitos pareceu um avanço da democracia e da justiça, o povo em frente ao Forum soltando fogos pela condenação dos Nardoni, me lembrava mais um linchamento público da era medieval...


Lembrei-me do Serra em 1º lugar na corrida pela presidência, e na cola dele, sem peruca, com os dentes a mostra,  num misto de sorriso e careta, a Dilma se aproximando...
Sinceramente não sei o que é pior ou o que é "não-melhor"



Lembrei-me dos milhões de votos do BBB, da Copa do Mundo de Futebol, que vai parar o Brasil meses antes das eleições, das minhas contas, da pedofilia, do crack dominando e destruindo o nosso futuro...





Foi quando caiu esse texto em minhas mãos.

A autora, Martha Medeiros (1961) é gaúcha de Porto Alegre, onde reside desde que nasceu. Fez sua carreira profissional na área de Propaganda e Publicidade, tendo trabalhado como redatora e diretora de criação  em vária agências daquela cidade.

O texto não tirou minha angústia, mas mostrou-me o que já sentia, só não sabia exprimir...

Leiam e passem adiante, é uma aula de sociologia/antropologia que todos entendem e que sociólogo nenhum explica pois eles fazem parte dos ricos-Pobres...

Ricos-Pobres

"Anos atrás escrevi sobre um apresentador de televisão que ganhava um milhão de reais por mês e que em entrevista vangloriava-se de nunca ter lido um livro na vida. Classifiquei-o imediatamente como uma pessoa pobre.
Agora leio uma declaração do publicitário Washington Olivetto em que ele fala sobre isso de forma exemplar. Ele diz que há no mundo os ricos-ricos (que têm dinheiro e têm cultura), os pobres-ricos (que não têm dinheiro mas são agitadores intelectuais, possuem antenas que captam boas e novas idéias) e os ricos-pobres, que são a pior espécie: têm dinheiro mas não gastam um único tostão da sua fortuna em livrarias, museus ou galerias de arte, apenas torram em futilidades e propagam a ignorância e a grosseria.
Os ricos-ricos movimentam a economia gastando em cultura, educação e viagens, e com isso propagam o que conhecem e divulgam bons hábitos. Os pobres-ricos não têm saldo invejável no banco, mas são criativos, efervescentes, abertos. A riqueza destes dois grupos está na qualidade da informação que possuem, na sua curiosidade, na inteligência que cultivam e passam adiante. São estes dois grupos que fazem com que uma nação se desenvolva. Infelizmente, são os dois grupos menos representativos da sociedade brasileira.O que temos aqui, em maior número, é o grupo que Olivetto não mencionou, os pobres-pobres, que devido ao baixíssimo poder aquisitivo e quase inexistente acesso à cultura, infelizmente não ganham, não gastam, não aprendem e não ensinam: ficam à margem, feito zumbis.
E temos os ricos-pobres, que têm o bolso cheio e poderiam ajudar a fazer deste país um lugar que mereça ser chamado de civilizado, mas que nada: eles só propagam atraso, só propagam arrogância, só propagam sua pobreza de espírito.
Exemplos?
Vou começar por uma cena que testemunhei semana passada. Estava dirigindo quando o sinal fechou. Parei atrás de um Audi preto do ano. Carrão. Dentro, um sujeito de terno e gravata que, cheio de si, não teve dúvida: abriu o vidro automático, amassou uma embalagem de cigarro vazia e a jogou pela janela no meio da rua, como se o asfalto fosse uma lixeira pública.
O Audi é só um disfarce que ele pôde comprar, no fundo é um pobretão que só tem a oferecer sua miséria existencial. Os ricos-pobres não têm verniz, não têm sensibilidade, não têm alcance para ir além do óbvio. Só tem dinheiro. Os ricos-pobres pedem no restaurante o vinho mais caro e tratam o garçom com desdém, vestem-se de Prada e sentam com as pernas abertas, viajam para Paris e não sabem quem foi Degas ou Monet, possuem tevês de plasma em todos os aposentos da casa e só assistem a programas de auditório, mandam o filho pra Disney e nunca foram a uma reunião da escola. E, claro, dirigem um Audi e jogam lixo pela janela. Uma esmolinha pra eles, pelo amor de Deus.
O Brasil tem saída se deixar de ser preconceituoso com os ricos-ricos (que ganham dinheiro honestamente e sabem que ele serve não só para proporcionar conforto, mas também para promover o conhecimento) e se valorizar os pobres-ricos, que são áqueles inúmeros indivíduos que fazem malabarismo para sobreviver mas, por outro lado, são interessados em teatro, música, cinema, literatura, moda, esportes, gastronomia, tecnologia e, principalmente, interessados nos outros seres humanos, fazendo da sua cidade um lugar desafiante e empolgante.
É este o luxo de que precisamos, porque luxo é ter recursos para melhorar o mundo que nos coube, e recurso não é só money: é atitude e informação."

Quem discordar que atire a primeira pedra!

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sexta-feira, 19 de março de 2010

Qual é a ideologia política do nosso país?



Ideologia é um termo que possui diferentes significados e duas concepções: a neutra e a crítica. 

No sentido neutro, o termo ideologia é sinônimo ao termo ideário (em português), e significa o conjunto de  ideias, de pensamentos, de doutrinas ou de visões de mundo de um indivíduo ou de um grupo, orientado para suas ações sociais e, principalmente, políticas. 

Para autores que utilizam o termo sob uma concepção crítica, ideologia pode ser considerado um instrumento de dominação que age por meio de convencimento (persuasão ou dissuasão, mas não por meio da força física) de forma prescritiva, alienando a consciência humana.

Podemos ver que o homem pega um conceito simples, quase intuitivo e complica, entope de enfeites arquetípicos e aplica às suas teorias ou pontos de vista. 

Mas quando ouço a palavra ideologia o que me vem a mente sem rodeios, sem discussões filosóficas sobre o "sexo dos anjos", é a de um conjunto de idéias que norteia o comportamento do indíviduo seja na sociedade, na vida íntima e afetiva ou na política.

E o que tem chamado minha atenção nesses últimos anos é a ideologia na política. Ou a falta dela...

Poderíamos resumir ideologia política como a visão que o político tem para combater os problemas da sociedade que lhe outorgou poderes, teoricamente falando. 
Seria a preocupação fundamental de executar, através do cargo que lhe foi outorgado pelos que o elegeram, um trabalho honesto – o ideal seria sem visar lucros - ajudando a construir uma sociedade melhor, mais organizada, com mais cultura, respeito e, principalmente, com dignidade.

Mas basta abrir os jornais, que observamos nossos políticos como dançarinos em um baile de loucos, circulando pelo salão ao som do Hino Nacional, pisando sobre um tapete formado pela nossa Constituição, trocando a cada instante e de modo caótico, de direção, de parceiro, de pensamento, sem censura alguma, seja ela imposta pela sociedade o por seus próprios ideais!


Me assusto com a nossa incapacidade de perceber que quem hoje é de esquerda e libertário, amanhã censura um desafeto se utilizando de qualquer meio para calá-lo, como se fosse um fascista, autoritário e déspota!

E nós, que não fomos convidados para esse baile de loucos, mas colocamos esses loucos lá dentro, apreciamos tudo com tranquilidade, mais preocupados com o resultado do BBB ou com o Campeonato Brasileiro, fazendo contagem regressiva para o início da Copa do Mundo de Futebol...

Amigos, estamos em 2010, às portas de uma eleição presidencial e eu não vejo nenhum candidato que mereça sequer um olhar de soslaio da minha parte!

Não vejo um ideal, não vejo ética, não vejo vergonha na cara...

Só vejo impunidade, traição, desrespeito, falta de sensibilidade...

E eu aqui, sentado na frente do meu humilde PC, tentando como uma andorinha com uma gota de água no bico, apagar o incêndio desa floresta!

Será que sou o único?!!

Meu sentimento é de medo e desespero ao tentar responder qual a ideologia política do nosso país!
Se você sabe me diga...

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